G.
Sentada num banco de jardim, Clarisse, branca como uma flor na jarra de um casamento, pensava na diferença entre uma mulher e um homem. Os beijos dos homens picam sempre um bocadinho - "desde os desasseis anos" concluíu "não beijo um homem sem barba".
Parece-lhe que a vida corre devagar e depressa, o que não faz sentido, porque o tempo se mede sempre da mesma maneira.
"Talvez não se deva dar mesmo credibilidade aos mecanismos de metal; qualquer coisa que não experimente a sensibilidade da carne é certo que não entende o ritmo cardiaco que marca a velocidade dos acontecimentos." Há barbas que picam mais e outras que menos, e não há também para isso uma regra qualquer.
A barba dos homens casados não pica menos nem mais que a dos solteiros, se bem que os homens casados já não sabem beijar.
A barba de um rapaz da minha idade não pica menos nem mais que a de um rapaz mais crescido, todas as sensações dependem da agilidade da língua. Talvez seja essa a regra, os beijos dos homens picam ou não picam consoante o amor, que há ou não há, e os lábios.
Os beijos mais indecisos são bons. Aqueles beijos adolescentes que servem só para treinar. Enquanto beija um desconhecido pensa que dupla sua pode actuar na sua boca - Nada de sério pode nascer de um beijo gratuito, de um beijo performance; tudo o que é gratuito é de metal. Mas mesmo assim, até esses beijos são bons, confirma.
Clarisse pensa em G. . Pensa que pensa em G. várias vezes e nada.E, Quando pensa nele descobre a sua respiração , a respiração daquele que nunca beijou no momento antes do beijo. Imagina-lhe uma cara de hesitação e, na verdade, os homens hesitantes acabam por lhe despertar sentimentos maternais e tornar o beijo mais doce. "Um beijo doce é uma expressão estúpida para uma rapariga como eu. Tenho vergonha de a pensar; estraga todo o meu pensamento sobre este assunto tê-la usado aqui."
O tempo passou depressa no relogio e devagar no coração. Sonhar com a história do amor, oh isso dura uma eternidade fatal. Clarisse já não tem tempo para pensar sobre as mulheres mas nem se lembra disso.
Pensa novamente em G. e diz-lhe: "Hoje, ou qualquer dia, vou te dar um beijo.
Podes não estar à espera. Podes até não querer, mas vou te dar um beijo de amor esquecido, ou condenado, a ser esta coisa;
ou a outra.
Parece-lhe que a vida corre devagar e depressa, o que não faz sentido, porque o tempo se mede sempre da mesma maneira.
"Talvez não se deva dar mesmo credibilidade aos mecanismos de metal; qualquer coisa que não experimente a sensibilidade da carne é certo que não entende o ritmo cardiaco que marca a velocidade dos acontecimentos." Há barbas que picam mais e outras que menos, e não há também para isso uma regra qualquer.
A barba dos homens casados não pica menos nem mais que a dos solteiros, se bem que os homens casados já não sabem beijar.
A barba de um rapaz da minha idade não pica menos nem mais que a de um rapaz mais crescido, todas as sensações dependem da agilidade da língua. Talvez seja essa a regra, os beijos dos homens picam ou não picam consoante o amor, que há ou não há, e os lábios.
Os beijos mais indecisos são bons. Aqueles beijos adolescentes que servem só para treinar. Enquanto beija um desconhecido pensa que dupla sua pode actuar na sua boca - Nada de sério pode nascer de um beijo gratuito, de um beijo performance; tudo o que é gratuito é de metal. Mas mesmo assim, até esses beijos são bons, confirma.
Clarisse pensa em G. . Pensa que pensa em G. várias vezes e nada.E, Quando pensa nele descobre a sua respiração , a respiração daquele que nunca beijou no momento antes do beijo. Imagina-lhe uma cara de hesitação e, na verdade, os homens hesitantes acabam por lhe despertar sentimentos maternais e tornar o beijo mais doce. "Um beijo doce é uma expressão estúpida para uma rapariga como eu. Tenho vergonha de a pensar; estraga todo o meu pensamento sobre este assunto tê-la usado aqui."
O tempo passou depressa no relogio e devagar no coração. Sonhar com a história do amor, oh isso dura uma eternidade fatal. Clarisse já não tem tempo para pensar sobre as mulheres mas nem se lembra disso.
Pensa novamente em G. e diz-lhe: "Hoje, ou qualquer dia, vou te dar um beijo.
Podes não estar à espera. Podes até não querer, mas vou te dar um beijo de amor esquecido, ou condenado, a ser esta coisa;
ou a outra.

3 Comments:
bolas, para te deixar um comentário tive de me inscrever nesta coisa... sim, já tenho um coiso destes.
gostei do texto. tão contida, como sempre:)- olha que depois do texto/poema já não podes dizer mais nada. a respeito da temática (beijos com barba ou sem barba,amores passados, insucessos, enfim, coisas da vida, deixo-te com uma frase de Beckett:
"ever tried. ever failed. no matter. try again. fail again. fail better." (é assim que devemos pensar também esta coisa das palavras) já te a tinha dito?, talvez. Luís. beijos e força!
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